domingo, 31 de maio de 2009

A vida no vale da Saraça

A vida na aldeia era muito dolorosa, as pessoas trabalhavam de sol a sol, tanto adultos como crianças.
A alimentação era feita consoante o que as pessoas cultivavam e os animais que criavam. O vestuário das crianças era feito pelas suas mães e essas roupinhas iam passando de irmãos para irmãos.
“Tempos livres?! Para quem os tinha!” diz a minha avó. As crianças brincavam à macaca, saltavam à corda e jogavam às apanhadas. Os adolescentes, nos tempos livres, iam para bailes nas casas das pessoas. As mulheres sentavam-se a fazer renda, ou então a falarem da vida dos outros. Os homens juntavam-se e iam para a única tasca que havia naquela altura, o “Café do Zé”.
Não havia médico a tempo inteiro. De vez em quando, um médico ia de porta em porta a dar medicamentos e a arrancar dentes a quem precisava.
Havia um carteiro que ia montado numa lambreta (mota velha, que naquela altura valia muito), e que parava num largo e tocava uma corneta, para que as pessoas fossem buscar as suas cartas ou mandar alguma correspondência.
Naquele tempo não havia qualquer tipo de transporte público. Eram as carroças de burros que serviam de transporte.
Agora, já há de tudo!













Casa da aldeia, em ruínas.
Mariana Pirona

sábado, 30 de maio de 2009

A vida em Angola contada pela minha avó


















Os meus tios e outras crianças de Angola.
Generosa Valente da Silva Almeida, a minha avó materna, nasceu, em 1941, em Vila Nova de Gaia. A minha avó foi para Angola, em 1960, com 19 anos de idade, onde conheceu o meu avô Manuel Almeida. Constituíram família e desta união nasceram três filhos, um deles é a minha mãe. A minha avó conta-nos que a vida em Angola era vivida com muitas dificuldades, mas em paz. Os meus avós viviam no interior de Angola, porque o meu avô era maquinista dos caminhos-de-ferro. Por vezes, os comboios paravam por falta de trabalho e o meu avô ficava muito tempo sem trabalhar. A minha avó era doméstica tratava da casa e dos filhos. Apesar de terem pouco dinheiro, davam sempre o melhor que podiam aos seus filhos.
























O meu avô, com a farda de maquinista dos caminhos-de-ferro.


Quando se declarou a independência em Angola, a minha mãe era muito pequena. A minha avó veio para Portugal com os filhos, mas o meu avô ficou lá mais 9 meses, debaixo de guerra. Quando o meu avô voltou para perto da família, ninguém pensava que fosse mesmo verdade. Em Portugal, os retornados viviam com muita dificuldade, eram discriminados. O meu avô começou a trabalhar nas fazendas, muitas vezes queriam dar de comer aos seus filhos e não tinham, foi uma batalha muito dura, que todos tiveram de vencer. Quando os meus tios e a minha mãe eram um pouco mais velhos, entre os 12 e 14 anos de idade, tiveram que ir trabalhar para a vindima, para a apanha da azeitona e para o lagar.Ainda hoje a minha avó conta que, passados tantos anos, as pessoas que vieram de Angola para Portugal ainda são olhadas de lado pelas pessoas que naquela altura tinham algumas posses.Os meus avós já cá estão há 34 anos. Se o meu avô fosse vivo, fazia 80 anos, no 25 de Abril.











A minha avó e os meus tios, quando chegaram a Portugal

Mariana Pirona